quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Liberdade de Expressão uma Ova, é Manipulação Mesmo !

 Há muitos anos os meios de comunicações brasileiros atacam os setores populares e os que lutam por direitos, muitas vezes básicos (no mundo há padrões disso hoje). De Carlos Lacerda aos dias atuais são muitos exemplos. Estes setores sempre reivindicam, mesmo todos tendo mamado nas tetas da Ditadura Militar, a Liberdade de Expressão e Imprensa Livre. Dificilmente criticam seus padrinhos Militares golpistas, geralmente de forma fantasmagórica, criticam as experiências socialistas, sim, mesmo não existindo o principal país que foi a União Soviética, há mais de 30 anos.

Não fazem isso de graça, procuram fazer a manutenção do senso comum conservador, procurando sempre trazer fatores favoráveis ao capitalismo e suas desigualdades, sabem que o debate socialista tem sua força, desde Marx. Técnicas modernas de manipulação são praticadas e diariamente anestesiar é o melhor remédio, lembro que a TV Globo, líder de audiência passa 5 novelas por dia, e quando não passa, tem programas que falam das novelas. 

No Brasil temos revistas, jornais, rádio (alcance razoável) e o principal a TV. Mesmo tendo aumentado o número de TV paga, ainda sim a aberta é o principal meio. Record, Band, SBT, Globo e Rede TV são as principais e de alcance nacional nas TVs afiliadas. 

Bom, depois da eleição de Hugo Chávez na Venezuela, país com alcance econômico razoável devido o petróleo e guinada para esquerda melhorando as condições de vida do povo, ganhando apoiou popular e ligando o sinal de alerta das atrasadas oligarquias latino - americanas, no Brasil há sempre um rechaço pelos meios "livres de comunicação". Sim, claro, sempre com a opinião única e sem direito a uma segunda opinião.

Passado 3 governos do PT, sendo 2 de Lula e 1 de Dilma, setores extremistas da direita brasileira, aliados a parte da "mídia livre" tem evocado a luta contra o bolivarianismo - chavista - castrista - comunista no Brasil. Sim, não perca a conta, são bons de adjetivos. Tudo isso, mesmo com o PT estando setores importantes da direita brasileira, sem falar do poder econômico, compondo a coalizão de governo. Apesar desta ilusão, e o medo real da Venezuela, mas que não tem se materializado como real no Brasil, mas sim na força política no continente e geopoliticamente no mundo, percebemos que estes setores tem interesse em certas disputas ideológicas e fatias econômicas do país. Procuram em nome da liberdade de expressão, manipular o povo, aterrorizando com o medo do "comunismo" mesmo o PT e o Brasil estando muito longe de qualquer socialismo (socialismo e comunismo são diferentes só para avisar). Mesmo o PT não aterrorizando em nada os interesses deles, o cristão novo não é aceito e ainda é taxado de comuna, interesses radicais e mais extremistas por trás existem sim, mas ainda minoritários, sim, até porque as classes dominantes pelo que consta não rasgam dinheiro. 

A mídia brasileira manipula diariamente o povo, não há real liberdade de expressão no país pelos meios de comunicação e quem censura não é o governo, mas sim os canais de TV, rádio, jornais e revistas, são eles que proíbem o debate público, o direito de resposta, o direito a uma segunda opinião, o embate de diferentes visões de mundo, o que há é uma ditadura da opinião única, que é o conservadorismo político e o neoliberalismo econômico, Diariamente procuram desestabilizações, conspiram sim, golpismo S/A desde 2003, mesmo o PT não sendo ameaça, a questão é outra, elitismo puro sangue, e quem sabe oposição no continente a governos que incomodam bastante a elite continental, como o da Venezuela (chamar de Ditadura é a técnica principal de manipulação deles), verdade seja dita, o PT não ajuda, mas também não atrapalha estes governos, e isso irrita estes setores extremistas. 

Neste sentido, e nem é socialismo o que coloco aqui, democratizar a mídia é algo que deveria ocorrer, e só ocorreria com forças sociais com reais forças, porém tais forças hoje ainda estão tentando se reconstruir. Porque ter mais canais de TV, inclusive públicos e outros meios diversos é algo que procuraria furar a censura imposta pelos meios de comunicação privados no Brasil, ter o livre debate assegurado, daria outras visões de mundo ao povo, hoje o que ocorre é manipulação pura, sendo a mídia um verdadeiro partido político.

Manipulação, censura, e mentiras, demonstram que liberdade de expressão é uma ova, o que ocorre é uma vergonha diária, tendo hoje a Revista Veja como o meio mais agressivo da imprensa escrita, golpistas sem vacilar, e a TV Globo como o mais eficiente para garantir os interesses econômicos dominantes no país, ah o SBT em franca decadência, agora se afunda de vez com desqualificados com rebaixamento intelectual em alguns jornais de baixa audiência e programas da madrugada e não é o Cine Privê, melhor se fosse.

Everton Souza


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Nova Direita ou Velha Extrema - Direita ?

Desde o aumento da utilização das Redes Sociais, em especial Blogs, Canais do YouTube e o Facebook, temos visto mais de perto os "filhos" dos meios de comunicações privados brasileiros manifestarem suas opiniões em diversos espaços da internet. Eles não apenas manifestam as "opiniões" como criam perfis, comunidades, páginas, enfim, colocam algum nível de organização virtual em prática.

É sabido que desde o velho PT chegando ao atual, o ódio de setores médios da sociedade brasileira sempre foi grande, ódio este alimentado pela velha guerra fria, dos tempos do anticomunismo que se transferiu ao PT, seja em épocas que foi de fato de esquerda ou atualmente que é colocado assim, mas não necessariamente é mais. 

Estes setores que se utilizam em especial da internet, na atualidade começam a mostrar as suas garras. São setores que não são ligados a direita tradicional, votam nela, mas não são ela. São setores que sempre existiram, mas andavam desorganizados e com vergonha de colocar as opiniões deles na sociedade, vergonha compreensível, pois pregar o desrespeito aos direitos humanos, pregar o ódio e a intolerância, é algo bem difícil de fazer e algo bem complicado de aceitar. 

Paulo Arantes em um texto na coluna opinião  da Folha de São Paulo em 31/10/2014, disse que estes setores ganharam alguma visibilidade depois das chamadas Marchas de Junho de 2013, colocando eles como uma Nova Direita. Concordo em partes com Arantes, de fato estes setores se colocaram nas Marchas de Junho, de forma truculenta, violenta e tentando manobrar a massa para ambições golpistas e ditatoriais, mas pararam apenas na violência, o que não é de se surpreender. Porém, venho mapeando estes setores desde 2012 pelas redes sociais, percebo que eles existem desde antes inclusive. Com vídeos conferências tentam estudar algo, mesmo que confuso e sem muita bibliografia, costumeiramente discordando do que visivelmente desconhecem que é o tal do comunismo. Usam o facebook para conversar, divulgar vídeos, sites e blogues. Mas é notório o quanto eles tem referencia na mídia privada em especial em Revistas como a Veja, Jornais como o Estadão e gostem ou não a TV Globo. Usam muito de argumentos de supostos intelectuais que surgem das catacumbas de fantasmas do passado, para tentar organizar algum tipo de pensamento, principalmente de Blogues bancados pela Veja da Editora Abril. Nomes obscuros surgem, sinceramente não quero dar ibope para eles, mas alguns como Reinaldo Azevedo entre outros, são os gurus destes setores, inclusive gente que vive fora do país e tenta hipnotizar pessoas pelo Youtube com alucinações anticomunistas.

Mas na verdade estes setores não são uma "Nova Direita", ao contrário, são a velha Extrema - Direita. Páginas do facebook como OCC (Organização de "Combate a Corrupção) ou até nazifascistas, como Carecas do Brasil, Orgulho de Ser 32, passando por outras menores, colocam os reais interesses destes velhos setores remasterizados com alguma juventude recrutada pela internet. Pregam que o Governo do PT é um governo de esquerda que pavimenta caminhos ao comunismo, mesmo sendo ao contrário, a pavimentação sendo capitalista, pregam que o PT é extremamente corrupto, como a velha escola corrupta do lacerdismo udenista que estes setores fazem parte, fazia antes de 1964, bem antes aliás. Dentro disso a mágica da solução que eles encontram é a "Intervenção Militar" que na prática tenta enganar o público para não chamar do óbvio que é Golpe Militar, aliás no começo até chamavam, tinha páginas com este nome. Pregam que depois de 60 dias teria novas eleições, que claro democraticamente teria alguém da indicação deles eleita, isso qualquer idiota pode adivinhar, menos eles.Aliás, talvez por idiotice mesmo não sacam que o PT é um tipo de gestão no capitalismo.

Há lideres virtuais disso, nomes até conhecidos nestas páginas, mas de verdade, sem ibope por aqui também. Mas todos tem o incomum, um ódio descomunal a governos, que mesmo no capitalismo, pregam ser comunistas, mesmo que democraticamente eleitos, pregam que são "ditatoriais". Não tem analise nenhuma, apenas ódio. Cuba volta a pauta deles. Sem grandes rodeios, sabemos que os governos latino - americanos, chamados de progressistas, tem suas diferenças, as vezes grandes, de país para país. De longe podemos perceber que países menores economicamente que o Brasil, estão a esquerda, são eles Bolívia e Venezuela, e em menor grau o Equador. Estes países melhoraram a relação com Cuba, tentando superar os entulhos da Guerra Fria. O Brasil nesta família, até tem boas relações com estes países, mas de longe é o mais moderado e o mais capitalista deste grupo, aqui o PT não quis tocar em interesses fundamentais das estruturas do sistema de acumulação e exploração do capitalismo brasileiro, aliás, na contradição respeita a autodeterminação destes países, mas age com interesses amplamente econômicos com eles. 

Isso é análise, e os setores que trago aqui da velha extrema -direita não fazem isso. Dentro do sistema de paranoia que construíram via internet, começam agora a irem para rua. Tentaram fazer isso em 2013 com notório fracasso. Devido debilidades do governo petista, mais ampla manipulação midiática, estas eleições foram a mais acirrada desde 1989. Mas mesmo assim o ciclo petista não se fechou, muito porque o que se colocava como alternativa, era muito fácil perceber que não tinha alternativa, aliás as frações burguesas no Brasil sabem disso e não rasgaram dinheiro nestas eleições. 

Porém este setor de extrema - direita, que tem seu pequeno Comitê Central em São Paulo, cidade esta que também tem várias organizações de esquerda, tentam animar uma possibilidade de Golpe de Estado. Primeiro vieram com a tal Intervenção Militar e foi uma tragédia, nem a mídia de quem é a maternidade e paternidade deles, apoiou, a direita tradicional repudiou, nem o tradicionalista Alckimim, amigo da Opus Dai e do Instituto Endireita Brasil, passou a mão na cabeça, aliás, parecia os tempos do velho MDB e repudiou tais grupos. Porém eles são persistentes, se dizem brasileiros, mesmo com cara de Miame, e agora focam na Anulação das Eleições e Impeachment de Dilma. Isso tem nome, se chama Golpe. Tentam acumular forças pela internet, nos vídeos, apelos patéticos inclusive, querendo salvar o país do Comunismo, sinceramente não sabia que a FIESP é comunista, um dos setores que não se opõe ao Governo, mantém forte ligação aliás. O ódio ao velho PT é a grande chave mestra de tudo isso, não admitem no fundo no fundo que um partido de origem de esquerda administre com competência o capitalismo brasileiro e seu sistema de exploração, colocam toda culpa nos restritos programas sociais, que países que pasmem como o "comunista" Estados Unidos da América tem inclusive mais amplos que o Brasil, fora vários países europeus, lembro que tais Programas Sociais são elogiados pelo Banco Mundial, que talvez seja comunista também. 

Mas não adianta caricaturizar eles, já são caricaturas, mas não dá para negar a realidade de existência deles. São setores que não tem controle, não são ligados a direita tradicional e tentam hoje forjar alguma direção fora da internet, que no caso tem sido agora a família Bolsonaro, que pregam abertamente a volta das torturas e assassinatos no Brasil por meio de uma Ditadura, que claro, o papai Jair seria o candidato nato a Ditador, se antes se diziam contra lideres, para disfarçar, hoje tem seus pequenos lideres, que bancam e sobem nos caminhões de som

Este setores vão tentar sair as ruas novamente, tem até datas marcadas. Não sabemos as reais forças deles, na verdade nem eles. Sabemos apenas que limite tem para todos, esta em oferta, e para eles não tem porque ser diferente. O certo mesmo é que teremos que conviver com estes setores e até disputar com eles, o real mesmo no virtual existe e tem que ser desmascarado. Os reais interesses destes grupos são exterminar qualquer pensamento, pessoa ou grupos que eles consideram de esquerda, exterminar significa, banir, expulsar e evidentemente matar, mesmo que neguem, o debate não é o forte deles, até porque xingos e ameaças não é debate. Em nome da democracia, pregam o fim de alguma democracia que temos, em nome da liberdade, a proposta deles é atacar as liberdades que temos. Já falam abertamente em banir o PT, em uma mescla de choro dos derrotadas com uma séria proposta de extermínio de quem é petista e tem o direito de ser. Os Meios de Comunicação tem grande culpa nisso, suas manipulações e falta de liberdade de expressão, sem direito ao debate, ao contraditório, a uma segunda opinião, promovendo uma verdadeira ditadura da opinião única, são os verdadeiros mentores intelectuais destes setores que pasmem, acreditam veemente que esta mídia é a favor do PT e da esquerda, ou seja, são de extrema mesmo.

Ódio, intolerância, preconceito e fim das chamadas liberdades democráticas, move esta gente, a internet facilitou o contato deles, mesmo com seus limites. Ou seja, os setores progressistas, populares, de esquerda e até democráticos tem o dever de levantar a bandeira contra o autoritarismo e contra este clima de ódio que tentam espalhar. Setores consideráveis das massas trabalhadoras, no qual muitos também votaram em Aécio, voltaram a rotina, aceitaram os resultados eleitorais, e as hordas fascistas tentam mudar a opinião deste setores, mas como eu disse, a internet tem seus limites. As lutas tem que continuar, é o modo mais correto de enxotar estes setores extremistas para o submundo de onde vieram, tendem a diluir os chamados deles, mas só ocorrerá isso se não negar a existência deles e não subestimar. A conjuntura não é a mesma de 64 para um golpe, não, elementos que vai desde termos mais que o dobro de habitantes, das cidades serem hegemônicas e não mais o campo, da conjuntura internacional não ser a mesma, e desafios sociais no Brasil não serem os mesmos, tendo elementos que com certeza uma ditadura não saberia lhe dar, como o Crime Organizado, dificulta o militarismo que estes setores pregam. Podem querer inflar a massa para um "novo" Fora Collor, mas o PT não é Collor. Podem querer reeditar o Paraguai ou Honduras com Golpe Institucional, mas aqui também não é o Paraguai e Honduras. O que mais me preocupa é eles ganharem o senso comum, deixando este mais conservador do que já é no Brasil e isso é preocupante ocorrer, pois alguns avanços que foram conquistados ou estão em vias de conquistas são ameaçados, fora a violência que podem promover, ou seja, o único modo de contrapor a tropa de choque dos que mesmo sem controle e independentes e que na família da direita já estão se isolando, é isola-los cada vez mais e deixar claro que estes setores são o que são, autoritários e ditatoriais, a luta exige isso, não adianta mais subestimar, isso não ajuda mais.

Everton Souza

domingo, 26 de agosto de 2012



ESCOLHEMOS FICAR AO LADO DE QUEM LUTA!
(Carta coletiva de ruptura com o Partido Comunista Brasileiro - PCB)
 
 
Assistimos, indignados, a luta fratricida que se desenrolou nos últimos meses dentro do PCB. Desde o inicio alertamos que a intransigência da dita direção levaria a resultados catastróficos para a organização e para luta de classes em São Paulo e quem sabe em todo país. Porém, mesmo com todos os apelos para o bom senso, a Comissão Política Nacional (CPN) preferiu seguir com o processo persecutório contra reais dirigentes políticos desse partido, militantes que tem inserção direta com a luta de classes e com as massas, decidindo pela expulsão do camarada Magrão das fileiras do PCB.
O processo que nos levou a essa situação foi marcado por flagrante desrespeito a qualquer norma baseada no centralismo democrático e no princípio de camaradagem. Vejamos:
1- O rompimento de princípios em torno do funcionamento partidário – principalmente do centralismo democrático - foi feito primeiro pela CPN, acarretando desgaste público de quadros do partido, como é o caso da famigerada “Nota Pública”, em que se tentou inutilmente enxovalhar o nome de dirigentes partidários.
2- O próprio Comitê Central reunido em março, fez autocrítica desse erro, mas não das suas conseqüências, mantendo a punição dos que reagiram a ele.
3- A Comissão de membros do Comitê Central de São Paulo, que substituiu a Comissão Política Regional dissolvida arbitrariamente pela CPN no final de 2010, e cujas funções foram cessadas por decisão do C.C. em março, excedeu-se em suas funções. Todavia, a direção nega-se a fazer o debate com a base do que teria levado a essa situação, preferindo, de forma administrativa, punir militantes eleitos como bodes expiatórios, num processo-farsa, cuja pena maior cabe àqueles que foram acusados de menor culpa.
Isso nos coloca em uma encruzilhada e nos obriga a escolher um caminho.
De um lado temos uma direção ultrapassada e envelhecida, sem qualquer prestígio junto à militância do Partido, formada principalmente pelos membros da CPN e por oportunistas que a ela se aliaram, que se apropriou da legenda do PCB. Seu método de ação no interior do Partido sempre foi o de solapar todo o trabalho político construído por um novo núcleo dirigente, que foi capaz de reinserir o PCB nas lutas reais da classe trabalhadora. Inconformados por perderem o comando político do PCB em São Paulo para os dirigentes que agora tratam de expurgar, aplicaram uma política de boicote à direção legitimamente eleita na Conferência Estadual de 2009. Seu método de ação foi o de insuflar e apoiar a formação de grupos no interior do PCB, principalmente uma tal de Fração Agrária e Instituto Cultural Lyndolfo Silva, em flagrante desrespeito às normas do centralismo democrático, cujo objetivo não era outro senão o de inviabilizar o trabalho de direção do Comitê Regional de São Paulo. Sempre mantiveram uma postura destrutiva no que tange à construção do PCB, sob a lógica mesquinha de que aquilo que eles não dirigem é preciso ser destruído. Tudo isso é feito com um único propósito: fortalecer a posição de um núcleo pequeno-burguês que se apropriou da legenda do PCB para utilizá-la em suas negociatas no mundo acadêmico.
 
Pelas mãos desses dirigentes, a ação do PCB hoje se limita a realizar seminários e debates acadêmicos, recusando qualquer política séria que o transforme no principal operador político da classe operária brasileira. Acusam os que querem construir um Partido com presença nas lutas reais dos trabalhadores de movimentistas para justificar a inércia política em que estão lançando o PCB. Estão distantes da realidade brasileira e são incapazes de construir mediações que permitam aos comunistas um diálogo com as massas. O resultado de tudo isso é um partido que está, tática e estrategicamente à deriva. Porém, o desmonte do PCB em São Paulo operado por esse grupo pequeno-burguês e oportunista através da perseguição e expulsão de dirigentes e militantes, visa outro fato mais grave: mudar a linha política do Partido, tanto em sua estratégia pela reaproximação com o programa democrático-popular e as tarefas inconclusas da burguesia, como na sua tática sindical, abandonando a construção da Intersindical, Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora, para reaproximar-se do PSOL.
 
De outro temos militantes e dirigentes com vínculos orgânicos e inserção real na luta operária, na luta estudantil, nos movimentos negro e de mulheres e nas lutas sociais em geral, não só no estado mas em todo o país. A preocupação constante desses companheiros foi a de tornar o PCB um operador político no seio do movimento dos trabalhadores. O resultado é o notório avanço do PCB em São Paulo no último período e sua reinserção no movimento de massa. Essa conquista pode ser observada no crescimento quantitativo e qualitativo das células para a qual foram fundamentais os camaradas hoje perseguidos pela CPN. É esse PCB, de luta e com referencia no movimento social, que está sendo expurgado do Partido por uma burocracia formada por professores universitários, que levam o PCB a sobreviver de notas públicas cada vez mais rebaixadas[1].
 
Chamados então a escolher entre um desses caminhos, escolhemos estar ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo. Elegemos como nosso campo de batalhas as greves operárias, as lutas diárias no campo, as batalhas estudantis, dos negros e das mulheres e não os gabinetes universitários.
Por essas razões, considerando inaceitáveis as decisões no que se refere à questão de São Paulo e pelos rumos políticos imprimidos ao PCB pela CPN, os militantes abaixo assinados informam seu desligamento político e organizativo dos quadros do Partido Comunista Brasileiro. Uma saída razoável seria a de permanecermos no interior do PCB para fazer a disputa interna. Porém, concluímos que não há mais possibilidade para o debate em torno dessas questões, pois o desgaste interno gerado já não encontra mais reversão, além do que o revigoramento político no interior do Partido perante as bases será novamente atropelado por essa direção anacrônica. Além do mais, essa disputa serviria apenas para sugar nossas energias, nos desviando de objetivos mais importantes. A luta de classes não espera e não perdoa erros recorrentes. Preferimos, desse modo, romper com o PCB para preservar nossa força e integridade política, utilizando-a para objetivos mais construtivos. A alguns camaradas que ficam desejamos força e coragem, com a esperança de que sejam capazes de corrigir os rumos do PCB. Com esses, certamente estaremos nas mesmas trincheiras das lutas cotidianas.
 
São Paulo, 10 de maio de 2011.
   
Assinam:
1 – Renato Nucci Junior
2 - Alexsandro Lelis Moreira
3 – Vinícius Gonzaga
4 – Davisson Canguçu
5Luis Eurípedes Baio Zuqueto
6 Celso Aparecido Lopes
7 – José Roberto de Oliveira
8 – José Carlos Alexandre Silva dos Santos
9 – Marcelo Alves de Oliveira Luiz
10 – Edvaldo Pereira da Silva
11 – Milena Regina Degrossoli
12 – Júlio Farias Ribeiro
13 – Antônio Ramos
14 – Paulo César dos Santos
15 – Paula de Araújo
16 – Marcos Alves de Oliveira Luiz
17 – Agostinho Rodrigues dos Santos
18 – Rita Marta de Souza
19 – Paulo Sérgio dos Santos
20 – Fábio Oliveira
21 – Marcelo Otávio
22 – Aparecido Dias de Lima
23 – Leonardo Sacramento
24 – Tiago Barbosa
25 – Everton Souza de Araújo
26 – Dorival Vieira
27 – Vinícius Boim
28 – André Gustavo de Almeida
29 – Odair Dias Filho
30 – Roger Ramzani
31 – Luciano Kalango
32 – Eric Thal
33 – Renato Fagundes
34 – Renato Abreu
35 – Juliano Zequini Polidoro
36 – Raoni Pereira Jerônimo
37 – Vanessa Faro
38 – Sandro Rogério Lima Santos
39 – André Rocha Cruz
40 – Bruno Nogueira
 



[1] O último exemplo desse rebaixamento está na publicação de um texto escrito por um obscuro sociólogo argentino na página eletrônica do PCB. O texto, de conteúdo anti-semita, resultou em uma representação na Procuradoria Regional Eleitoral movida pela Confederação Israelita do Brasil contra o Partido. O texto mostra o quanto a direção do PCB, especialmente a CPN, perdeu o rumo da política. Maiores informações acesse: http://netjudaica.blogspot.com/2011/04/conib-oferece-representacao-contra-o.html. Outros exemplos dessa perda do rumo político estão na publicação de um texto de Altamiro Borges, dirigente nacional do PCdoB, sugerindo que o governo Dilma estaria em disputa; e outro, que tratando da brutal agressão física feita pela polícia contra militante do PCB em manifestação do Passe-Livre em São Paulo, considerou-a como fruto do despreparo dos policiais e não como parte da onda de criminalização dos protestos sociais.


Carta à Comissão Executiva do Partido Comunista Brasileiro

Carlos Marighella

1 de Dezembro de 1966


Fonte: Carlos Marighella - O Homem por trás do mito. Editora UNESP, 1999, Pág:536-546.
Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo

À Comissão Executiva
Prezados Camaradas:
Escrevo-lhes para pedir demissão da atual Executiva.
Os contrastes de nossas posições políticas e ideológicas é demasiado grande e existe entre nós uma situação insustentável.
Na vida de um combatente, é preferível renunciar a um convívio formal a ter de ficar em choque com a própria consciência.
Nada tenho a opor aos camaradas pessoalmente.
No trabalho sob o título "Luta interna e dialética", publicado na Tribuna de Debate e em um folheto, procurei tornar clara a idéia que tenho sobre a necessidade do tom pessoal na luta interna.
Na verdade, nenhuma pessoa por si só está em condições de determinar a marcha da história, coisa que compete, sem nenhuma dúvida e antes de mais nada às massas trabalhadoras.
O que torna ineficaz a executiva é a sua falta de mobilidade, é não exercer o comando efetivo e direto do Partido nas empresas fundamentais do país, é não ter atuação direta entre os camponeses.
O centro de gravidade do trabalho executivo repousa em fazer reuniões, redigir notas políticas e elaborar informes. Não há assim ação planejada, a atividade não gira em torno da luta. Nos momentos excepcionais, o Partido inevitavelmente estará sem condutos para mover-se, não ouvirá a voz do comando, como já aconteceu em face da renúncia de Jânio e da deposição de Goulart.
Solicitando demissão da atual Executiva — como o faço aqui —, desejo tornar público que minha disposição é lutar revolucionariamente junto com as massas e jamais ficar à espera das regras do jogo político burocrático e convencional que impera na liderança.

1. A Circulação da Idéias

Uma das questões em que a Executiva se mostra temerosa e conservadora é quanto ao aparecimento de livros e à circulação de idéias.
Acerca de um ano e meio publiquei o livro Por que resisti à prisão.
A experiência das lideranças passadas em matéria de lançamento de livros não é boa. As direções executivas dificultavam ou impediam tal coisa por meio de subterfúgios, retendo originais ou exercendo a censura prévia.
Os camaradas da Executiva atual reclamam, entretanto, que só a posteriori tomaram conhecimento do livro mencionado.
Mesmo assim não o discutiram; sobre ele não emitiram nenhuma opinião, apesar de interpelados por militantes e outros dirigentes.
Agora, passado mais de um ano, os companheiros fazem autocrítica pela omissão e opinam sobre o livro, considerando boa a primeira parte (que faz o relato da prisão). Não concordam, porém, com a segunda parte (que expõe os assuntos ideológicos e políticos), porque esta — segundo pensam — é contra a atual linha do Partido.
Parece estranho condenar uma parte do livro e não condenar igualmente a outra.
As duas partes são indivisíveis. Uma é decorrência da outra. Há uma interação entre elas, uma relação de causa e efeito. A resistência à prisão não teria havido se os motivos políticos expostos no livro não a justificassem.
Os companheiros, porém, não atentam para essa evidência. Entram pelo terreno da abstração e do agnosticismokantista e separam coisas inseparáveis.
E vão mais além, sustentando a tese de que um membro da liderança não pode escrever, publicamente, discordando.
A tese é stalinista, mas aí a temos de volta.
Ora, a discordância nunca é um fato repentino, mas o amadurecimento de um processo contraditório, facilitado sempre que se abre o debate, sobretudo quando o último foi travado seis anos atrás.
E é exatamente neste momento — com os debates abertos — que os companheiros afirmam a impossibilidade da discordância pública.
Recai-se, assim, na "teoria da unanimidade", que tanto prejuízo trouxe no passado. Volta-se a concepção antimarxista e anti-dialética do "núcleo dirigente" monolítico superposto ao coletivo. Em suma, trata-se de uma tentativa de intimidação ideológica, o recurso a uma forma de coação para evitar a circulação de idéias que são temidas.
Entretanto, revelar as contradições é uma forma e até mesmo um método para superá-las, desde quando as idéias entram em confronto uma com as outras e a prática é tomada como critério para testar a verdade.

2. De Onde Vem a Discordância

Nossas discordâncias não são de agora. Vêm de muito antes. Cresceram a partir dos acontecimentos subseqüentes à renúncia de Jânio, quando o nosso despreparo político e ideológico ficou demonstrado.
Em 1962, perante o coletivo do Partido, critiquei os métodos não marxistas, os remanescentes do individualismo na direção e a falta de tomada de posição ideológica em face do nosso despreparo.
O golpe de abril — vitorioso sem nenhuma resistência — mostrou mais uma vez que política e sobretudo ideologicamente estávamos mesmo despreparados.
A resistência à prisão e o livro que tratou do assunto significavam aquela tomada de posição ideológica em face do despreparo e da perplexidade geral.
O despreparo ideológico e político da Executiva — segundo penso — revela-se em suas concepções, já agora postas em dúvida por muitos militantes.
São concepções imbuídas de fatalismo histórico de que a burguesia é a força dirigente da revolução brasileira. A Executiva subordina a tática do proletariado à burguesia, abandona as posições de classe do proletariado. Com isso perde a iniciativa, fica à espera dos acontecimentos.
O livro que publiquei sob o título A crise brasileira (ensaios políticos) é exatamente uma contribuição ao debate aberto em torno das posições da liderança, posições que venho combatendo publicamente, amparado no princípio da livre discussão.
Não vejo mal em combater tais posições, pois o que todos desejamos é uma Executiva em condições de ir para a ação e manejar o método dialético-materialista.

3. As Ilusões de Classe

As ilusões da Executiva — perdoem-me os companheiros — permanecem intactas. Daí porque a vimos refletidas nas ilusões de uma boa parte dos dirigentes e militantes que acreditavam em líderes burgueses, como JuscelinoJânio,Adhemar, Amauri Kruel, Justino Alves e outros, e tinha esperança na resistência que prometiam fazer contra a ditadura. O episódio da cassação de Adhemar não foi, porém, a última decepção.
Temos agora o caso da "frente ampla". A Executiva manifestou-se com inequívocas simpatias pela "frente ampla", renunciando a criticá-la e a esclarecer às massas sobre o seu significado.
Lacerda — líder fascista — quer fazer seu próprio partido, exibindo-se como popular e reformista.
A Executiva acha tudo isto um "fato político positivo" ("A Voz Operária", n.22, nov. 1966), admitindo que a "frente ampla" venha a ter a capacidade de lutar contra a ditadura, pelas liberdades e os interesses reais do povo brasileiro.
A jogada de Lacerda é abrir novos caminhos para servir ao imperialismo norte-americano e evitar a liberação nacional de nosso povo. Lacerda é incapaz — por sua situação de classe — de lutar realmente pelo povo, contra o latifúndio e o monopólio da propriedade privada da terra, em favor dos camponeses e em favor da classe operária. O que Lacerdapretende — segundo se deduz dos fatos — é a colaboração de classes, é a conciliação que leva ao apoio a Costa e Silva.
A Executiva silencia sobre isto, ajuda a semear ilusões.
As ilusões são justificadas em nome da propalada política ampla, em nome do combate ao sectarismo e ao esquerdismo, enquanto se despreza a luta em favor da ideologia do proletariado. Esquece-se o papel do partido marxista, da sua independência de classe e cai-se no reboquismo ante a burguesia.
Em vez de combater as ilusões, apressou-se a Executiva a combater o revanchismo, adotando uma posição burguesa como se não devêssemos ajustar contas com a ditadura à maneira proletária, ou seus crimes e chamar seus autores à responsabilidade. Como se não devêssemos apostar ao proletariado os criminosos golpistas, denunciar "à maneira plebéia", segundo diria Marx em seu tempo.

4. Caminho Eleitoral ou Caminho Armado

A Executiva ainda pensa em infligir à ditadura derrotas eleitorais capazes de debilitá-la. E dá grande importância ao MDB, apontado como capaz de permitir aglutinação de amplas forças contra a ditadura. Ou então apoia a "frente ampla" do Lacerda.
Não é isto querer desfazer-se da ditadura suavemente, sem ofender os golpistas, unindo gregos e troianos?
Em vez de uma tática e estratégia revolucionárias, tudo é reduzido aberta ou veladamente — a uma impossível e inaceitável saída pacífica, a uma ilusória redemocratização (imprópria até no termo).
Parece não se ter compreendido Lenin, quando em "Duas táticas" afirma que:
"os grandes problemas da vida dos povos se resolvem somente pela força".
Em outra parte, falando sobre a vitória, acrescenta Lenin que esta:
"deverá apoiar-se inevitavelmente na força armada das massas, na insurreição",
e não em tais ou quais instituições criadas "por via legal" e "pacífica".
Depois de tanto se ter falado que a violência das classes dominantes se responderia com a violência das massas, nada foi feito para que as palavras coincidissem com os atos. Esquece-se o prometido e continua-se a pregar o pacifismo.
Falta o impulso revolucionário, a consciência revolucionária, que é gerada pela luta.
A saída do Brasil — a experiência atual está mostrando — só pode ser a luta armada, o caminho revolucionário, a preparação da insurreição armada do povo, com todas as conseqüências e implicações que daí resultarem.
É verdade que nossa influência, a dos social-democratas (quer dizer, a dos comunistas), sobre a massa do proletariado ainda é muito insuficiente; a dispersão, a falta de desenvolvimento, a ignorância do proletariado e sobretudo dos camponeses, ainda são [texto truncado no livro] velocidade. Cada passo dado no seu desenvolvimento desperta terrivelmente enorme.
A revolução, porém, aglutina as forças com rapidez e as instrui com a mesma massa e as atrai com uma força irresistível para o programa revolucionário, o único que exprime de modo conseguinte e concreto os seus verdadeiros interesses, e seus interesses vitais.
Há no Brasil forças revolucionárias internas capazes de resistir à ditadura e ir à luta. E é verdade que o pensamentoleninista brota por toda a parte onde o proletariado faz sentir sua influência.

5. Razões Irreversíveis

A questão mais importante, a fundamental, é a questão do poder. Os revolucionários no Brasil não podem propor a uma outra coisa senão a tomada do poder, juntamente com as massas. Não há porque lutar para entregar o poder à burguesia, para que seja construído um governo sob a hegemonia da burguesia. Foi o que se pretendeu com o governo nacionalista e democrático. E o que se pretende agora, propondo-se a conquista de um "governo mais ou menos avançado", eufemismo que traduz a esperança num governo sob hegemonia burguesa, fadado a não resolver os problemas do povo.
Isto não significa a renúncia à luta pelo poder através da ação revolucionária, a confiança no caminho pacífico e eleitoral, a capitulação ante a burguesia.
A Constituição fascista, autoritária, que elimina o monopólio estatal, que sustenta a atual estrutura agrária retrógrada, que assegura a total entrega do país aos Estados Unidos, que reduz o Parlamento e a justiça a instrumentos dóceis do Poder Executivo, tal Constituição não permitirá nenhum governo democrático por via eleitoral.
É preciso pôr abaixo tal Constituição, derrubar a ditadura, estabelecer um governo apoiado em outra base econômica, em outra estrutura. Fora disso, é permanecer mais dez, vinte anos fazendo acordos eleitorais e ajudando as classes dominantes e o imperialismo norte-americano a manter o Brasil como uma ditadura institucionalizada, a serviço da repressão ao movimento de libertação dos povos latino-americanos.
A conclusão não pode ser diferente, sobretudo em face de vinte anos de acordos eleitorais feitos no passado, acordos eleitorais sem princípios, que nos desacreditaram e desgastaram ante as massas.
São tentativas inviáveis, prática e teoricamente, pois a época das revoluções democráticas e liberais já está ultrapassada.
Temeroso da Revolução Cubana, o imperialismo norte-americano, agora, apoiado nas forças armadas convencionais latino-americanas, não vacila em desencadear os golpes militares, ao menor sinal de um avanço no caminho da libertação dos povos de nosso continente. E nem mesmo desiste ou recua do emprego da guerra de agressão mais brutal, como no Vietnã.
A luta pelas reformas de base não é possível pacificamente, a não ser através da tomada do poder por via revolucionária e com a conseqüente modificação da estrutura militar que serve às classes dominantes.
O abandono do caminho revolucionário leva à perda de confiança no proletariado, transformado, daí então, em auxiliar da burguesia, enquanto o partido marxista passa a ser apêndice de outros partidos burgueses.
A subordinação e a perplexidade ante a burguesia e sua liderança impelem ao menosprezo do campesinato na revolução brasileira.
Daí a causa porque o trabalho no campo jamais constitui atividade prioritária, chocando-se os esforços nesse sentido com a indiferença e a má vontade da Executiva.
Entretanto, o camponês é o fiel da balança da revolução brasileira, e sem ele o proletariado terá que gravitar na órbita da burguesia, como acontece entre nós, na mais flagrante negação do marxismo.
Sem o camponês, o Partido não fará outra coisa senão acordos políticos e acordos eleitorais de cúpulas, para não falar em barganhas.
São razões que não podem deixar de contribuir para o meu pedido de demissão, tornando-se impossível aceitar qualquer conciliação ideológica.

6. O Problema de São Paulo

A Executiva — segundo me parece — subestima o Partido nas empresas, não ajuda a construí-lo aí, com uma firmeza inabalável.
Quem pensa em fazer a revolução tem que se apoiar nas empresas e na classe operária. No Brasil, tem que se apoiar em São Paulo, a concentração operária fundamental e decisiva no país.
Entretanto, a situação do Partido em São Paulo é desastrosa, afastado como está das empresas e atingido pelas influências ideológicas da burguesia.
A Executiva assistiu indiferente ao declive do Partido em São Paulo. Não obstante, inquietou-se e deu sinal de contrariedade quando — sem ser levada em conta sua opinião — os militantes de São Paulo elegeram para a direção estadual um dos membros da Executiva e outro dirigente nacional.
Tentando rechaçar a iniciativa dos militantes, a Executiva invocou uma resolução inexistente, proibindo qualquer de seus membros de pertencer a uma direção estadual; o que seria transformar a Executiva numa espécie de torre de marfim sem atuação direta junto às bases da empresa ou do campo. Inconformados, os militantes de São Paulo já haviam afastado da direção estadual todos os quadros para ela designados pela Executiva, e que não haviam correspondido. Tanto mais quanto o Partido enveredara pelo reboquismo à burguesia, tendo sido permitido em suas fileiras forte penetração e influência da ideologia burguesa, particularmente do janismo e do adhemarismo.
Campeavam, então, em São Paulo, as teses da burguesia, sintetizadas sobretudo na chamada "conquista do poder local" e na existência de um partido cujo nome era evitado e substituído pela denominação de "movimento comunista", onde, aliás, não devia haver lugar "para os homens cuja revolta os leva ao desajuste e ao afastamento da convivência social".
Em vez de um Partido revolucionário de massas, as teses preconizavam um Partido pacífico, bom para entendimentos e acordos eleitorais.
Um dos objetivos programáticos dessas teses, em circulação em São Paulo, era "uma reestruturação democrática da máquina administrativa dos órgãos judiciais e do aparelho policial".
As teses mencionadas contribuíam para desacreditar e deformar o Partido e eram ao mesmo tempo uma conseqüência disto.
A conferência estadual realizada em São Paulo reagiu contra as deformações e a influência ideológica da burguesia e rejeitou in totum aquelas teses oportunistas.
Ao invés de saldar a conferência e os seus resultados, a rejeição de semelhantes teses e a posição dos militantes elegendo quadros de sua confiança para a direção, ainda que — sem consultar a Executiva e sem levar em conta os seus veredictos — a Executiva descontenta-se e trata de agir em São Paulo, passando por cima da direção estadual.
Somente agora a Executiva chegou à conclusão de que precisa discutir o problema de São Paulo, depois que o Partido ali foi quase destruído e as teses da burguesia penetraram fundo.
Se é assim, que se apurem as responsabilidades, que se assinalem as causas que levam o Partido a perder suas bases nas empresas, porque não se realizava trabalho entre os camponeses e não se apoiava o esforço revolucionário dos estudantes, porque os intelectuais se distanciavam do Partido e porque eram preferidos os acordos e entendimentos eleitorais.
A causa principal dessas deformações está — segundo creio — na fraqueza teórica e ideológica da Executiva.
Foi isto que a levou a não ter vigilância de classe, a permitir que caíssem documentos na mão da polícia. A gravidade da questão não está apenas em nomes revelados, mas também em permitir — por inadvertência — a revelação à polícia de assuntos internos do Partido.
A verdade é que a Executiva está ausente no trato com o marxismo-leninismo, não escreve trabalhos teóricos, não generaliza a experiência da revolução, teme a publicação de livros e as idéias neles expostas, omite-se diante das questões fundamentais, preferindo a conciliação e o exercício do paternalismo.
É, para mim, doloroso escrever-lhes como o faço neste momento. Mas não seria de meu feitio deixar de dizer a vocês, perante o coletivo partidário e à opinião pública o que sinto realmente.
Não acredito que o individualismo ou a ação pessoal possa resolver todos esses problemas. As idéias é que desempenharam o papel decisivo. E somente elas encontraram eco.
A causa revolucionária brasileira, a libertação de nosso povo do julgo dos Estados Unidos, o empenho pela unidade do Partido em torno das idéias marxistas estão acima de qualquer acomodação, sobretudo quando o que mais se exige de nós, comunistas revolucionários marxistas-leninistas, é justamente a coragem de dizer e agir.
Sem mais, com saudações proletárias.
Carlos Marighella


sábado, 24 de março de 2012

Guarullhos-SP e a luta dos Trabalhadores Municipais



Os trabalhadores do serviço público sofrem? Sim, entre os baixos salários, ainda tem assédios morais, perseguições políticas, entre várias coisas. Mas quando um partido que diz ser diz ser dos trabalhadores as coisas mudam? Não no Brasil atual.
Os trabalhadores dos serviços públicos em Guarulhos, desde setembro de 2011 estão em luta para que a prefeitura aceite a pauta de suas reivindicações. No meio desta história, a Prefeitura de Guarulhos, negociou em privilegiado com algumas categorias e deixou outras de fora.
A partir disso, diversas categorias se colocaram em luta contra esta injustiça, advinda tradicionalmente dos Tucanos do PSDB, agora o PT. Nesta luta, se colocou na vanguarda os/as Assistentes Sociais e Psicólogos/as, cujo montaram com autonomia e independência uma Comissão de Assistentes Sociais e Psicólogos, tendo puquissímo apoio do Sindicato dos Servidores de Guarulhos (SAP) comandado pela Força Sindical. Dentro desta Comissão de Profissionais, principalmente estas categorias, mas tendo outras junto também, reuniões, assembleias, atos públicos e principalmente, disponibilidade para negociar, sempre foi á prática da comissão.
Mas com o passar do tempo, paciência tem limites! Este ano, as negociações, por parte da Prefeitura endureceram, e no dia 22/03 quando a prefeitura prometeu uma reunião final no âmbito das negociações, esta foi marcada para as 14h, na Secretaria de Administração e Modernização. Os trabalhadores liderados pela Comissão de Profissionais estavam todos lá. Porém, mais uma vez foram enrolados, Sindicato e Prefeitura, disseram que a reunião não foi marcada para aquele dia e que houve falha na comunicação e que teriam que remarcar, numa clara manobra contra os trabalhadores. Porém, estes não se acuaram, ocuparam tal Secretaria e exigiram já na porta do gabinete que o secretário atendesse os trabalhadores. Depois de muita pressão e visível apavoramento do governo e sindicato, os trabalhadores foram recebidos, e o governo foi obrigado a dar sua versão para tal desrespeito, e não convenceu ninguém. No final os trabalhadores conseguiram uma reunião para o outro dia, 23/03, para um horário absurdo, ás 20h. De novo, aguerridos e unificados para seus objetivos, eles estavam lá. Porém o Governo Tucano do PT mais uma vez deu suas amostras de intransigência, atrasando até ás 23:30h a reunião. Neste horário o sindicato chegou e o governo covardemente entrou pela porta dos fundos. A Comissão dos trabalhadores/as finalmente foi negociar os interesses dos trabalhadores e bingoooo, o governo já passando da 0h disse que não tinha proposta nenhuma e que não tem orçamento para atender os trabalhadores; porém nesta semana foi anunciado um aumento absurdo nos salários do poder executivo e legislativo, caindo assim por terra o argumento, fora a situação de já ter negociado em separado com algumas categorias profissionais.
Os trabalhadores transtornados de novo ocuparam a porta do gabinete exigindo a negociação, e gritos como: tucanos do bico vermelho, traidores, entre outros foram entoados pelos trabalhadores. Porém o governo deu por encerrado a negociação.
Agora o governo vai ter que aguentar, os trabalhadores nesta semana vão com toda legitimidade de quem sempre quis negociar, preparar uma greve de todo o serviço público, e mesmo com contradições o Sindicato dos Servidores vai ter que assumir junto com a Comissão de Assistentes Sociais e Psicólogos e outras categorias a Greve. E ai PT até quando vai mentir e ficar pousando de esquerda? Vão ter a resposta que merecem, e os Trabalhadores do Serviço Público vão a luta em Guarulhos – SP.

Ousar Lutar, Ousar Vencer
Everton Souza
Construindo a Intersindical – Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora
Jornal “Arma da Crítica”

quarta-feira, 14 de março de 2012

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ponto eletrônico: Mais um mecanismo de opressão ao trabalhador


Ponto eletrônico: Mais um mecanismo de opressão ao trabalhador

Fazia já alguns meses que precisava me manifestar neste assunto, mas só consegui agora. O assunto é o ponto eletrônico, algo que vêm afetando o cotidiano do meu local de trabalho e de outros diversos companheiros com certeza.

Primeiramente vale um resgate histórico, o ponto eletrônico é um mecanismo de supercontrole do trabalhador, surgiu na Revolução Industrial no século 19, período extremamente nebuloso aos trabalhadores, superjornadas de trabalho de até 18h por dia era a regra para boa parte dos trabalhadores e “bater o cartão” era o cotidiano para que os baixos salários ficassem mais baixos ainda.

Com o tempo este mecanismo de levar mais opressão ao trabalhador foi se modernizando, chegando aos dias atuais com os modernos relógios digitais. Uma das lutas históricas dos trabalhadores no mundo inteiro é a redução da jornada de trabalho, visto o pouco tempo que sobra por dia para o trabalhador de fato viver. Neste contexto, algumas conquistas já foram realizadas no mundo, entre elas a abolição do ponto eletrônico em alguns locais de trabalho, visto que muitos trabalhadores por que alguma vez chega um minuto atrasado tem descontos nos seus salários e ainda não conseguem dialogar com chefias sobre flexibilização do horário em algum acontecimento esporádico, como enchentes na cidade, transito, doença na família etc. Outra questão é a possibilidade no conflito capital x trabalho o trabalhador ter algum poder de negociação em relação a seu horário de trabalho. Esta conquista, não é para o trabalhador deixar simplesmente de trabalhar, até porque em uma sociedade capitalista, o trabalhador depende da venda da sua força de trabalho, a luta contra o ponto eletrônico engloba um arcabouço de lutas que visa o trabalhador ter algum ganho em sua qualidade de vida e reduzir sua exploração.

Com o ponto eletrônico as coisas ficam mais difíceis, o trabalhador tem que sair de sua casa mais cedo que o necessário para não correr nenhum risco de eventualidade no trajeto, chegar mais cedo no trabalho de forma desnecessária e pior aumentar seu nível de estresse ao sempre estar preocupado em não se atrasar, mesmo que o atraso não prejudique o trabalho.
Mas porque este assunto? Bom vivemos em tempos difíceis, os demagogos dizem por ai que as coisas estão melhorando, o consumo aumentou. Mas infelizmente sinto informar, a exploração do trabalho continua com força total, a grande maioria sai muito cedo de casa e chega muito tarde à mesma, não vê o sol nascer e muito menos se pôr, alias quando vê o sol. 

A jornada no Brasil mesmo com alguns acordos coletivos, ou conquistas isoladas de algumas categorias profissionais, oficialmente a lei brasileira coloca que a jornada é de 44h/semanais, sendo que no máximo alguns lugares por acordo, alguns ramos fazem 40h, na prática muitos trabalhadores são obrigados pelo patrão fazer mais que 44h. Ou seja, o trabalhador tem muito pouco acesso a sua própria vida, vive só para trabalhar.

Estes demagogos atualmente são representados pelas chamadas “Centrais Sindicais”, no caso diversas hoje no Brasil, sendo reconhecidamente no meio dos trabalhadores como Centrais Pelegas. Entre elas temos uma que um dia foi diferenciada e defendia os trabalhadores, mas devido diversos motivos que não vou aprofundar aqui, deixou de defender os trabalhadores e se amoldou ao capital, a central é a CUT – Central Única dos Trabalhadores, hoje muito mais uma “Central dos Empresários Brasileiros e Estrangeiros”.

A CUT hoje não tem mais autonomia e não segue a vontade se sua base, ao contrário cada vez mais aliena a mesma para que esta não se manifeste e se tornou uma correria de transmissão governamental/patronal. Uma das ordens do governo e que a CUT esta seguindo a risca é a campanha pela implantação do ponto eletrônico para todos os trabalhadores. Ou seja, a luta que vem desde o século 19, no qual sempre os trabalhadores lutaram contra, a CUT esta com toda força lutando a favor. Evidentemente não só a CUT, mas cabe aqui analisar este caso notório. Um dos argumentos destes “capitães do mato” do capitalismo é que o ponto eletrônico evita fraudes (ou seja, generalizam o caso de algum aproveitador para todos os trabalhadores, tratando todo trabalhador como um aproveitador) e que o ponto eletrônico garante hora extra. Segundo infelizmente o Jornal Brasil de Fato segunda semana da edição de outubro em um espaço que se denomina “espaço sindical”, onde claramente vemos uma propaganda da CUT e da CTB (Centra dos Trabalhadores do Brasil, outra com uma linha política pelega), ali descrevia o mesmo argumento da CUT, por exemplo, explanada em assembléias no local onde trabalho cujo sindicato é o” Sindsaúde-Sp”, sindicato filiado a CUT. 

Neste espaço do jornal diziam que o ponto eletrônico era importante para garantir horas – extras dos trabalhadores e que evitava fraudes, além de descaradamente falarem à inverdade que os patrões eram contra o ponto eletrônico, ou seja, uma grande farsa.

Bom, primeiramente o ponto eletrônico não garante a tal da hora – extra (lutamos tanto por aumentos salariais e redução de jornada e tem gente lutando pelo aumento de jornada), muitos patrões ameaçam trabalhadores como todos sabemos, e em locais que tem o ponto eletrônico sabem o que eles fazem? “olha meu filho eu não posso te pagar hora – extra, mas preciso de você além do seu horário, então bata o ponto e volte a trabalhar, caso não aceite eu terei que procurar outro que aceite”, bingooo! Tai à hora – extra. Sobre as fraudes, primeiro que existem chefias, RH, enfim, vários mecanismos que se pode evitar isso. A CUT, além de ser a favor do ponto eletrônico, ainda sugere o ponto que você coloca suas digitais, onde só você poderia bater o ponto. Marx já dizia em “O Capital” que com a exploração capitalista, o relógio se torna inimigo do trabalhador, as horas não passam e o trabalhador foge do trabalho.

Porque ser contra o ponto eletrônico? Primeiramente porque o trabalhador não precisa ficar ultra-estressado preocupado em não se atrasar nenhum um minuto, pode dialogar com a chefia se acontecer alguma eventualidade em sua vida, em algumas situações de caos na cidade, o trabalhador não precisa ser punido com o ponto eletrônico e neste dia o trabalhador não precisa ser descontado por um atraso que não é sua culpa, e principalmente o trabalhador não perde o poder de negociar no conflito capital x trabalho. E os aproveitadores? Como eu já disse uma boa política de RH evita um problema sério, mas vamos colocar os eixos nos seus lugares, o aproveitador não é o trabalhador, mas sim o patrão, é este que explora o trabalhador, paga pouco, exige uma carga horária estafante e retira na maioria das vezes o direito do trabalhador de viver sua vida.

Apesar da CUT e outros dizerem que o patrão é contra o ponto eletrônico (mais uma demagogia), na prática o patrão é extremamente favor deste mecanismo de opressão, até porque foi à classe social que ele pertence foi a que criou este mecanismo, aliás, os patrões estão comemorando por ter sindicalistas que fazem isto por eles.

Para nós trabalhadores, hoje com “lobos em pele de cordeiro perto de nós” nos resta resistir, não lutar contra o ponto eletrônico significa abrir mais uma porta para que nos explorem mais ainda, ficaremos mais doentes, com o aumento do estresse, por exemplo, e teremos nossos baixos salários descontados e ainda mais reduzidos. Perderemos o poder de negociação, as chefias dirão que nada pode fazer porque o ponto eletrônico é algo que vem do RH e não tem nada a fazer. Para CUT, só nos resta declarar guerra a esta Central que se tornou pelega e hoje atende aos interesses dos patrões que rasgam elogios para tais “sindicalistas”. Em tempos difíceis, não podemos baixar a guarda, chega de colher derrotas apenas.

Everton Souza